PIRUÁ | Centro de Arte Contemporânea W

Curadoria de Yolanda Cipriano e Josué Mattos.

De 06/09 a 11/10/2019.

Piruá é o milho de pipoca que não estourou. A exposição que leva esse nome se constrói a partir de uma reflexão sobre estourar pipoca como uma metáfora para as transformações inerentes à vida. A mostra é formada por pinturas, objetos e instalações. Durante a visitação, o público foi recebido com pipoca feita na hora no próprio espaço, ativando os sentidos sensoriais e a copa como parte do espaço expositivo.

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áudio da instalação sonora presente em Piruá.

"Piruá, para os não paulistanos que, porventura, desconheçam o termo, é o milho de pipoca que não estourou. Rejeitado por muitos, é desejado por alguns. E, posso garantir, apesar do risco "quebra dentes", certos piruás trazem sabores especiais a quem tem a "ousadia" de comê-los.

A obra "Autorretrato" presente na mostra revela ao visitante que a instalação dos gêmeos Tangerina Bruno lida com algo além da experiência lúdica de estourar pipoca e suas reminiscências nostálgicas de infância. Essa doce estória é apenas aparência, como ledo engano vivenciará quem tomar por pipocas reais (prestes a murchar e perder o gosto) as esculturas veristas de argila cromada espalhadas pela dupla pelas paredes e pelo chão do espaço expositivo. Sob uma aparente receita ilustrada de "como fazer pipoca", Cirillo e Letícia imaginam a receita de "como fazer gente grande". A personalidade humana, quase sempre, necessita ser forjada a "ferro e fogo" para transmutar-se em algo novo e, quiçá, melhor. Se, em alguns momentos, essa metamorfose se opera de forma suave, branda, incidiosa e quase imperceptível; na maior parte das vezes, são necessárias crises líticas sob tempestade espessa de energia e angústia.


Autorretratos são o esboço de uma tijela com uns poucos piruás e grãos de sal, o que sobrou após o desejo saciado dos festivos comedores... O resto é o autorretrato de uma vida, de um personagem, de uma personalidade que lutou por uma vida de momentos felizes e crises transformadoras. O que fica de nós (seja em livros, quadros, fotografias, obras ou memórias frágeis dos vivos que ficaram) são restos... indigestos, lesivos ou extremamente saborosos, mas sempre mera fração imperfeita e inconclusiva, da essência de nosso ser. Mas esses fragmentos dismórficos são o melhor de nós que podemos aspirar legar ao mundo."



- Daré, artista visual. Outubro de 2019. 

 [detalhe] Autorretrato 2019 acrílica sobre tela 100 cm de diâmetro

Vistas da exposição. Fotos: Maurício Froldi.

Autorretrato 2019 acrílica sobre tela 100 cm de diâmetro

De olhos fechados 2019 acrílica sobre tela 93 x 66 cm

Entre 2019 acrílica sobre tela 120 x 72 cm 

Rosa dos ventos 2019 acrílica sobre tela 92 x 67 cm

Flores brancas e macias 2019 acrílica sobre tela 55 x 60 cm

Lagarta 2019 acrílica sobre tela 56 x 165 cm

As cores primárias são as cores do fogo 2019 acrílica sobre tela 22 x 16 cm

Vistas da exposição. Fotos: Maurício Froldi.

O sentimento constante e a instalação Pipocas, esculpidas em argila.

A mão como fogo e gordura: cada pipoca e piruá presentes nessa instalação é uma escultura, modelada por nós em argila.

O sentimento constante 2019 acrílica sobre tela 118 x 106 cm

CACW8-c2 2019 Tangerina Bruno.jpg

Centro de Arte Contemporânea W - Rua Nélio Guimarães, 1300, Alto da Boa Vista. Ribeirão Preto - SP.
A exposição integra a programação do 44º SARP - Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional - Contemporâneo, em parceria com o MARP - Museu de Arte de Ribeirão Preto. No espaço do CAC W, outros três artistas apresentam suas obras: Daré, Weimar e Natalia Marques.