TANGERINA BRUNO (1993, Porto Ferreira - SP).

Vivem e trabalham em Porto Ferreira, São Paulo.

Tangerina Bruno é um duo formado pelos irmãos gêmeos Letícia e Cirillo, de Porto Ferreira, interior do estado de São Paulo. A produção exige as quatro mãos e as duas mentes dos artistas, que se transformam em um terceiro elemento, vivo, dono de novas ideias, que produz, pinta e reconta as experiências vividas pela dupla. Assinam com o seu sobrenome, Tangerina Bruno

A produção da dupla se inicia em 2013, através da pintura. A partir de 2018, começam a desenvolver trabalhos em outras linguagens, como a fotografia, desenho, escultura e objeto.

 

Dentre as participações em exposições, destacam-se as individuais “Estados Cotidianos”, na Galeria Kogan Amaro e "Piruá" no Centro de Arte Contemporânea W e coletivas em instituições como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o Museu de Arte de Ribeirão Preto, no espaço Auroras em São Paulo, a Mostra de Artes da Juventude (Sesc) e salões como o Novíssimos (Galeria IBEU) e o Salão de Praia Grande.


A formação dos irmãos se deu através de cursos livres, como aulas de pintura com o artista Manoel Veiga e grupos de acompanhamento e interlocução como o Artistas na FAMA com orientação de Katia Salvany; o Ciclo Jundiaí no Sesc, com orientação de Ana Paula Cohen, Thiago Honório e Andrey Zignnatto; o Grupo de Estudo e Produção de Arte Contemporânea no Instituto Tomie Ohtake com orientação de Paulo Miyada e Pedro França e acompanhamento com o crítico Mario Gioia em Ribeirão Preto.

Um pouco sobre nosso processo de pintura

Começamos 2013, ano que marca o início da nossa produção, desenhando diretamente sobre a tela – o desenho era mais livre e com menor rigor nas proporções das figuras. A partir das obras Abóbora e Vinho (2013-2014), ao retratar ambientes domésticos sentimos a necessidade de localizar o trabalho dentro de uma noção maior de “realidade”. Para isso, começamos a criar os desenhos para as pinturas a partir de colagens digitais que construíamos com imagens pesquisadas na internet. Quando não encontrávamos uma imagem específica de figura humana, nos fotografávamos e alterávamos a fisionomia no desenho. Nosso trabalho sempre lidou com o autorreferencial mas nem sempre com nossa figura.

 

Entre 2014 e 2015, impulsionados inicialmente por uma necessidade prática, começamos a gerar a maioria das imagens de referência para os desenhos das pinturas. Um fotografava o outro, com objetividade, nas poses desejadas. A série A Trilogia da Realidade começa a reaproximar nossa figura da produção.

 

Em 2016, desejando abordar o trabalho a partir do nosso cotidiano e figura, passamos a ambientar as cenas dentro da nossa própria casa, no interior de São Paulo, onde vivemos e trabalhamos. Desse processo nasceram as pinturas Queimadura de sol de terceiro grau, Fogo alto, Água que fura, Corpo encharcado de óleo e Tapete a três metro do chão.

 

Para gerar as imagens de referência, começava a surgir dentro da nossa produção uma espécie de performance: descobrimos que precisávamos nos entregar verdadeiramente à ação para gerar imagens que transmitissem naturalidade e verdade nos gestos. Configurando a câmera para o modo de disparo contínuo, nos revezávamos entre a performance e a direção-registro das cenas, sempre conversando muito sobre as escolhas e as possibilidades. A experimentação se tornou intensa, nos levando a uma outra compreensão do trabalho a partir desse processo. Para cada pintura gerávamos centenas de imagens, que mais tarde viriam a se tornar a base para a série Para Uma Pintura. Das centenas de registros, algumas fotografias eram escolhidas e combinadas através de colagem digital para criar a cena retratada.

Assim, o trabalho que abordava o cotidiano passou a ser construído dentro dele: no dia-a-dia da nossa casa, nos colocávamos em movimento e a serviço das ideias, performando, pesquisando e explorando diferentes ações, objetos, mudando os móveis de lugar, experimentando ângulos, enquadramentos e narrativas, em busca da representação visual para os conceitos que queríamos desenvolver em cada obra. Esse processo se tornou tão forte que começamos a desenvolvê-lo para além da pintura, através de trabalhos ligados ao desenho, instalação e composição, como os azulejos na pintura Corpo encharcado de óleo.

A relação com o autorreferencial também se expande para os elementos decorativos. Com interesses gráficos e narrativos, as estampas e elementos decorativos sempre estiveram presentes. Estampas e hábitos possuem em comum a repetição de um elemento, sejam eles, respectivamente, de motivos decorativos ou de ordem comportamental, como a repetição de uma ação ou linha de pensamento. Dessa forma, quando criamos as estampas buscamos retratar sentimentos, reações e sensações. Trabalhando com cenas cotidianas, escolhemos posicionar esses elementos e estampas (que geralmente trazem a figura humana) em áreas normalmente associadas à estamparia e revestimento, criando um estranhamento que nos interessa muito. 

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