Em 2006 demos início à tradição de fabricarmos enfeites para a árvore de Natal. 14 anos depois, pela primeira vez nossa árvore se torna pública como uma instalação na exposição Amigo Secreto, na Galeria Kogan Amaro em São Paulo. Em 2019, de forma muito diferente, ela foi retratada na pintura Tapete a três metros do chão.

Dezembros, 2020-2006

2,25 m de altura x 1,5 m de diâmetro na base.

Instalação. Esculturas e ornamentos confeccionados manualmente entre 2006 e 2020 pelos próprios artistas para a decoração da árvore de Natal da própria casa, enfeites garimpados e pisca-pisca sobre pinheiro artificial.

Contemplar a árvore é recordar toda nossa trajetória para nos tornarmos artistas – os enfeites refletem (através dos significados, técnicas, materiais) essa busca primordial da nossa vida, principalmente quando olhados cronologicamente. Os enfeites são criados ou garimpados a partir de nossas experiências. Por exemplo, em 2015 aprendemos a fazer moldes em silicone para tirar esculturas em resina – pequenos lápis realistas foram esculpidos para a árvore. Em 2010, a matéria do curso de Design de Interiores pedia a criação de um objeto inspirado no estilo gótico – surge daí o primeiro conjunto de bolas em papel machê. Em 2019, para a exposição individual Piruá produzimos esculturas realistas de pipoca – que se tornaram guirlandas e pendentes... Ao montar e decorar a árvore este ano, fomos percebendo o quanto essa tradição foi o nascedouro do nosso procedimento de trabalho – que a maneira como ela foi sendo construída e formatada é muito conectada com questões importantes do nosso processo criativo de pintura. A árvore foi e é suporte e linguagem

Com o tempo, os enfeites começaram a se distanciar de símbolos mais natalinos até chegarem nas esculturas feitas para esse ano, figuras humanas vestindo máscaras de animais, buscando se harmonizar mais com a natureza e a força dos arquétipos. Historicamente, o uso simbólico dos pinheiros começa como ritual pagão relacionado à Natureza e ao longo da História é apropriado pela religião católica, tornando-se também símbolo comercial. Dentro disso, os novos enfeites não seriam, talvez, uma afinidade com o sentido ancestral desse costume, da nossa busca por conexão maior com a terra? Interessante perceber também que, na nossa primeira pintura como Tangerina Bruno, já existia um tigre e que duas esculturas, de 2013 e 2015, retratam um busto humano com uma cabeça de tigre. No fim, é tudo interligado, tudo é extensão, vários elementos da árvore foram sendo retomados ao longo do tempo, na nossa vida e produção. Esse corpo, o da árvore, talvez seja o ponto de encontro, de coexistência das várias existências de uma mesma essência, que é Tangerina Bruno.

Letícia e Cirillo, outubro de 2020

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Fotos: Claudia Adorno

Para a construção das nossas pinturas, utilizamos nossa própria figura como referência fotográfica. Para os enfeites de Natal desse ano, criamos esculturas com corpo humano e máscara animal. O processo foi parecido: nos fotografamos em diferentes poses mas, ao invés de traçar uma relação com nosso cotidiano, buscávamos pensar a influência daquele animal-arquétipo sobre uma forma humana. As esculturas foram feitas em papietagem, técnica onde se reveste com papel e cola uma estrutura pré-moldada. As estruturas foram feitas com arame, fita crepe e papel de seda. Esses materiais são recorrentes nos enfeites que produzimos, assim como papel machê, argila e porcelana fria.

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